ELES ERAM MUITOS CAVALOS LUIZ RUFFATO PDF

Toda a aзгo do livro se passa num sу dia, o dia 9 de Maio de A localizaзгo precisa da aзгo й dada logo no inнcio: Sгo Paulo, 9 de maio de Rapidamente, somos expostos a textos que expressam o que poderia ser um mнnimo recorte de uma visгo aйrea da megalуpole. Em cada um desses textos podemos encontrar desde oraзхes religiosas, cenas de amor e violкncia, уdio e paixгo, seres que se completam e seres que nunca se compreendem. Luiz Ruffato busca desvendar Sгo Paulo. Nгo apenas a metrуpole com seus engarrafamentos, seus parques, ou o dinheiro correndo por entre os conglomerados econфmicos.

Author:Kazitaxe Vushicage
Country:Egypt
Language:English (Spanish)
Genre:Environment
Published (Last):18 July 2008
Pages:151
PDF File Size:14.53 Mb
ePub File Size:10.89 Mb
ISBN:450-8-15752-357-6
Downloads:35058
Price:Free* [*Free Regsitration Required]
Uploader:Salmaran



Toda a aзгo do livro se passa num sу dia, o dia 9 de Maio de A localizaзгo precisa da aзгo й dada logo no inнcio: Sгo Paulo, 9 de maio de Rapidamente, somos expostos a textos que expressam o que poderia ser um mнnimo recorte de uma visгo aйrea da megalуpole. Em cada um desses textos podemos encontrar desde oraзхes religiosas, cenas de amor e violкncia, уdio e paixгo, seres que se completam e seres que nunca se compreendem.

Luiz Ruffato busca desvendar Sгo Paulo. Nгo apenas a metrуpole com seus engarrafamentos, seus parques, ou o dinheiro correndo por entre os conglomerados econфmicos.

Ele decifra a cidade que estб estampada todos os dias, minutos e segundos em nossa frente. Uma cidade rasgada pela diversidade humana, mosaico composto por gente de todos os lados do Brasil e de todas as classes sociais existentes e inexistentes. A linguagem fragmentada reflete a correria da maior metrуpole da Amйrica do Sul.

Cada mudanзa de histуria parece uma simples piscadela para o tempo impossнvel de Sгo Paulo. Os muitos personagens nгo se encontram. O emaranhado de suas vidas escorre sem que ninguйm, a nгo ser eles mesmos, tome conhecimento disso. A уtica nгo й a do expectador, mas a do prуprio personagem, o que torna o livro singular. Ruffato mostra histуrias de gente que vemos todos os dias, perdida por diversos pontos da cidade buscando menos um motivo e mais uma maneira de sobreviver.

Um olho mбgico bastante revelador do grande rebanho anфnimo que vive desgarrada e desesperadamente em Sгo Paulo. A grande personagem, a ъnica que, onipresente, interage com as outras em seus inъmeros dramas, infelicidades e pequenas tragйdias urbanas, й mesmo a mutifacetada Sгo Paulo. Quanto ao tнtulo, perguntou-se a Ruffato quem eram os "cavalos". E ele respondeu que os cavalos somos todos nуs: desde o que vai trabalhar de фnibus ao que vai de helicуptero.

Cavalos seriam uma grande metбfora - cavalos de corrida, cavalos de umbanda A narrativa й dividida em 70 pequenos textos. Em alguns deles, os narradores escrutinam a vida de vendedores ambulantes, motoristas de tбxi, idosos, pastores, pedintes, assaltantes que, embora vivendo em uma mesma cidade, nгo exercem qualquer influкncia direta uns sobre os outros. Isso pode atй ser tнpico da vida da grande cidade, mas se torna peculiar quando representa uma proposta de romance, na medida em que, em nenhum momento, as histуrias se cruzam.

Assim, nгo hб um enredo como fio condutor que relacione qualquer uma das partes ou as personagens. O ъnico vнnculo entre elas parece ser o do tempo ficcional, um dia, o que permite ler este conjunto de textos como um grande retrato da diversidade na paisagem humana no cotidiano da cidade.

A fragmentaзгo entre as partes, аs vezes, й marcada pela diferenзa entre os gкneros da narrativa. Os narradores formam um mosaico textual composto por cartas, oraзхes, cardбpios, previsхes meteorolуgicas, lista de livros, anъncios de classificados, alйm de textos que podem funcionar como pequenos contos. Flвneur, o autor estabelece o palco de suas andanзas na abertura do livro, em linguagem que se quer objetiva, mas que nгo se esquece do imaginбrio cristгo, que paira sobre a cidade tentacular.

Cъmplice, o leitor acompanharб o andarilho Ruffato durante as prуximas horas desse dia 9 de maio de , marcado pela violкncia, pelo oportunismo, pela corrupзгo, pelo sonho, pelo medo, pela coragem. Um dia como outro qualquer, mas que se torna especial porque foi destacado como situaзгo sensнvel e exemplar. Dramas da banalidade do cotidiano. Fragmentos da vida, visitados com olhos de ver e captados por ouvidos atentos. Nada que o leitor nгo conheзa, pelo menos de ouvir falar ou porque leu em algum jornal.

Marginalidade, anonimato, desimportвncia Os que vivem e os que morrem e os que sгo mortos; os que chegam e os que partem. Quase sempre sem nome, como a vovу pernambucana que vem visitar o filho e conhecer a nora e os netos, trazendo bagagem de expectativa acerca da vida do filho e a bexiga cheia, porque o banheiro do фnibus estava fedido depois de tanta estrada a caminho do desconhecido.

Josй Geraldo nгo tem nome de famнlia; й apenas mais um que quer se dar bem na vida e vai encontrar o amigo nos Estados Unidos, como exemplo de quem escapa da vidinha apertada e medнocre, de muita batalha e pouco ganho.

Os textos independentes mimetizam a atmosfera caуtica dos cenбrios paulistanos, habitados por figuras-sombras se desfazendo o tempo todo: cada fragmento й tгo forte, um grito de socorro, que um intervalo se faz necessбrio. Mas o intervalo pode ser ainda mais assustador, como se as vozes continuassem ecoando mesmo depois de pronunciadas. Ruffato constrуi uma imagem e logo a faz desvanecer, deixando-nos quase desamparados, para em seguida construir outra.

Mas, й dos intervalos entre os textos em suma, do nгo-dito, nгo-visto, que emana a presenзa do real. O real que nгo й a realidade, mas o impensбvel do pensamento o irrepresentбvel da representaзгo, o invisнvel do visнvel, ou seja, o que se expressa no vazio. Vazio que revela a angъstia da impossibilidade da tragйdia num universo sem sujeito nem voz narrativa. Sem pedir licenзa, o autor vai entrando na intimidade das criaturas e escancara ao leitor o interior da vida da classe mйdia, como na manhг fria de pгo velho com margarina, enquanto o marido estб lendo Foucault, comprado no sebo, e a mulher saturada da vida apertada nos limites do orзamento domйstico "jб nгo reconhece quem й esse homem".

Mas tambйm entra com a professora na escola destruнda pelo vandalismo de elementos da prуpria comunidade, que arrasaram a hortinha da merenda escolar. Solidгo e desespero, capta o narrador na atitude desolada da professora. Por vezes, Ruffato entrega o discurso а personagem, tornando mais contundente o quadro de solidгo e desespero Й o que acontece quando o leitor o acompanha ao quarto de motel, no qual uma prostituta й violentada por uns indivнduos bкbados; sem saнda, ela se refugia na lembranзa antiga de um cliente gentil e endinheirado, que lhe dera tratamento especial e atй a levara a um restaurante chique; impotente, traduz seu desprezo pela escуria que a agride na certeza de que naquele restaurante "esses putos nunca entraram, nunca entraram nem nunca vгo entrar, nunca vгo entrar Aos que ainda tкm fй e esperanзa, a cidade oferece o discurso do pregador solitбrio, que fala da salvaзгo eterna; simpatias, uma oraзгo a Santo Expedito, ou a Igreja do Evangelho Quadrangular Para outro tipo de fй e de esperanзa, pode-se percorrer, com a ponta do dedo, tanto as listas de empregos oferecidos como os anъncios de serviзos sexuais, atй com garantia de discriзгo e de sexo seguro nos tempos que correm Quem preferir pode parar diante da estante e escolher um livro, entre os vбrios citados por Ruffato, e deixar lб fora os gritos e o ranger de dentes A certa altura, pergunta o autor: " sгo paulo й o lб fora?

Na verdade, Sгo Paulo й a menina que se prostitui, й o нndio bкbado, й o pai que sonha com um futuro melhor para o filho, й a garota morta pelo assaltante de bairro, tгo miserбvel quanto sua vнtima Sгo Paulo й o lб fora de sua multidгo; й o aqui dentro de cada medo, esperanзa, desespero, mesquinharia Sгo Paulo й o pacto de silкncio assustado do casal que sabe haver alguйm ferido lб fora, mas que prefere dormir, porque "amanhг a gente fica sabendo" — nada se pode fazer por alguйm atingido pela violкncia urbana, altas horas da noite - questгo de preservaзгo da vida A Sгo Paulo de Ruffato nгo se limita ao lugar comum da "selva de pedra".

Й humanidade, contemplada cuidadosamente pelo olhar desse autor que se mistura а multidгo para traзar o vasto painel da condiзгo humana, algumas vezes deixando que o leitor perceba sua comunhгo com as dores e as alegrias da gente miъda, que nгo se sabe bem de onde vem ou para onde vai; mas, estб aн, fazendo o significado da cidade.

Palavras do autor: "se formos considerar o projeto como um todo, teria sido a ъltima coisa que iria escrever. Й assim um painel, um grande painel, porque seria, grosso modo, sobre a formaзгo da classe operбria brasileira entre e , pegando o Brasil saindo do meio rural passando para o urbano, depois do mundo urbano transformando isso na formaзгo de uma burguesia e um proletariado.

Depois, na dйcada 70, isso vira a migraзгo das cidades pequenas para as cidades grandes.

EURIT 25 PDF

Eles Eram Muitos Cavalos

Em , abandonou a carreira de jornalista para se tornar escritor em tempo integral. Rio de Janeiro: Record, Flores Artificiais. Tarja preta - Rio de Janeiro: Objetiva, Quando fui outro - Rio de Janeiro: Objetiva, O ataque.

DUGE NOCI I CRNE ZASTAVE PDF

Navigation

.

EQUACAO DA RECTA PDF

Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

.

C PROGRAMMING CONCEPTS BY JITENDER KUMAR CHHABRA PDF

Luiz Ruffato

.

Related Articles